Leo Moura e o caso da estupidez do fanatismo…

Como bom profissional, eu ponderaria por alguns instantes antes de trocar a empresa na qual estou trabalhando por uma empresa concorrente… OK, irei explicar…

Trabalhei por alguns anos numa livraria de grande porte, na época uma referencia no mercado no quesito atendimento e estoque. Não era a líder em número de lojas, mas era sim referencia no seu seguimento. Num determinado momento da minha carreira, vislumbrei um futuro estagnado, sem possibilidade de crescimento e desejando desafios. Eis que surge uma oportunidade em uma outra rede de livrarias, sem o mesmo porte, definitivamente sem a mesma referencia no atendimento ou mesmo no estoque. Mas vi ali a oportunidade de tentar algo novo, quem sabe levar o know-how adquirido na livraria em que trabalhei por mais de dois anos, até mesmo quem sabe vislumbrando uma possibilidade de me tornar gerente e alavancar a qualidade desta livraria conhecida por ser direcionada ao público C e D… Não era uma mudança para uma concorrente direta, certo?! Legal… fui e me fudi, a ilusão durou uns dois dias, tempo suficiente para ver a merda que fiz na minha vida e que duas máximas – “em time que esta ganhando não se mexe” e “sonhar não custa nada” não caminham juntas. Enquanto a outra livraria sempre apostou em atendimento, estoque diferenciado, treinamentos, clientes diferenciados para ganhos diferenciados, a outra rede estava bem tranquila sendo a terceira maior da região, com funcionários relapsos, estoque tosco e mal cuidado… Eles, dessa segunda livraria em questão, não queriam um cara como eu. Eu representava uma ameaça, afinal, eu queria mudar o que estava funcionando, eu queria propor novos desafios, e caso eu me tornasse gerente, obviamente muitas cabeças iriam rolar… mas eu rolei primeiro… Trabalhei dois dias e quase entrei em surto…

Pois bem, essa ladainha e analise profissional toda sobre minha pessoa para chegar no caso que esta mexendo com o futebol nacional – apesar de eu achar que deveria mexer apenas com o carioca, que esta mal das pernas a tal ponto que só consegue chamar a atenção da mídia com notícias como esta que irei destacar agora… – pois trata da “honra e confiança” de toda uma “nação” depositada em um “ex” ídolo: Leo Moura, um dos poucos jogadores a representar tão bem a devoção a um único clube nos últimos anos, pra ser mais exato, na última década. Hey hey, antes de se indignar, sei que ele atuou por outros clubes, inclusive pelo maior rival do Flamengo, o Vasco, onde fez trinta partidas. Pelo Flamengo, foram dez anos… dez anos de dedicação num clube onde ele passou a ser a imagem desse clube. Um lateral muito esforçado, boa visão de jogo, pra muitos ele teve o azar de estar se destacando numa época em que a seleção brasileira ainda dispunha de Cafu e Gilberto Silva… Não concordo, sempre achei ele um jogador com uma ótima regularidade, mas nada acima da média para ir para seleção.. mas OK, não é sobre isso o texto, então voltemos ao que realmente importa.

Leo Moura dedicou uma década de sua carreira a um clube que o abraçou, e ele em contra partida, ajudou a conquistar muitos títulos, incluindo Copa do Brasil de 2006 e 2013 e um campeonato brasileiro. Hey, poucos jogadores podem carregar tantas faixas assim no período de uma década, que digam os jogadores do meu amado Grêmio…

Com 36 anos e 500 partidas realizadas pelo rubro negro, parecia que o fim de carreira se aproximava para Leo Moura, afinal de contas, o Flamengo não dava sinais de renovação de contrato e o time passava por uma certa reformulação… Logo, Leo Moura viu a oportunidade de realizar um antigo sonho: levar sua família para uma condição ainda melhor de vida, em um pais melhor desenvolvido, mais seguro e que ele mesmo pudesse passar a se desenvolver como pessoa. Veio a oportunidade de ir para os EUA, e com o fim do contrato com o Flamengo, Leo Moura se despediu da nação rubro negra em fevereiro de 2015…

Mas parece que a adaptação ao futebol norte americano e o estilo de vida da cidade que ele escolheu para viver não estavam lhe agrandando, e numa manobra que parecia mais uma tentativa kamikaze de marketing agressivo e sem sentido, ele foi abordado pelo Vasco da Gama, maior rival do Flamengo, para voltar ao Rio de Janeiro, poder curtir novamente a areia da praia, os tão falados 40 graus da “cidade maravilhosa”…

Guardadas as devidas proporções… mas voltem ao inicio do texto onde falo de minha necessidade de mudança na carreira, procurando novos desafios… Sai de uma referencia no mercado – e não, isso nem de longe se aplica ao Flamengo de HOJE, que fique claro, de HOJE – para uma oportunidade de tentar algo novo e crescer junto com a empresa – o Vasco hoje esta na última colocação do campeonato brasileiro, o elenco esta mais caótico e desorganizado que festival de punk rock das antigas e parece estar apostando tudo em possíveis contratações impossíveis, tais como o próprio Leo Moura e Ronaldinho Gaúcho… -que foi um PUTA tiro no pé… Eu durei apenas dois dias na consequência do meu erro… Leo Moura durou menos de 24hs…

Pior que essa palhaçada, que inclui o odiado/amado Eurico Miranda falando de modo inflamado sobre o jogador, incluindo frases do tipo “Ele encheu o saco pra vir…”, é a reação de alguns torcedores do Flamengo… Sim, eu tenho minha implicância com a urubuzada, depois que me mudei pra Brasilia tive contato com os mais diversos tipos de torcedores e os flamenguistas daqui, em sua imensa maioria, agem como fanáticos cegos para a realidade de mercado, realidade tática de seu time e ainda pior, de seu momento no futebol hoje… mas, mesmo assim… as reações sobre a possível decisão do ídolo deles, que foi sim deixado de lado pela atual diretoria, em voltar a jogar no Brasil e ter a oportunidade, por mais suicida que fosse, de jogar no maior rival, num clube em frangalhos e bem encaminhado para seguir em ultimo nesse primeiro turno, foi encarada como traição… PORRA! Por que?! Sério, POR QUE o cara é traíra? Romário não jogou pelo Fluminense e pelo Vasco além do Flamengo? Idem para Renato Gaúcho? Edmundo? Juninho Pernambucano? Por que crucificar um cara de 36 anos, dez dedicados a um único clube, de tentar a sorte no rival que esta estatelado no chão, praticamente moribundo?

Não, eu não tenho a resposta… e mesmo que tivesse, ela não seria nada agradável de ser publicada…

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