Inside my…

Rhymes with vibes

Month: November, 2014

Bruno (conto/tale)

O cheiro doce de alguma bobagem infantil é espalhado pelo ar, assim como a alegria inocente de quem não teme nada além do Sol quente que queima sua pele branca e cheia de sardas. É quarta-feira e eu acreditava que as crianças deveriam estar numa escola, mas sou a prova viva de que enganos acontecem mesmo quando planejamos e antevemos inúmeras possibilidades.

Guardo a garrafa, afinal, crianças são altamente influenciáveis, e utilizo todos os músculos da minha face em busca de um sorriso simpático e contínuo, mas pelos muitos olhares desagradáveis que recebo, descubro que a simpatia é algo para poucos, e se não for sincera é melhor deixar de lado.

Em uma dessas lixeiras coloridas como um arco íris eu deixo o isqueiro e descubro que o ultimo cigarro foi mesmo o desta madrugada, quando a chuva era a responsável pela sinfonia que deveria embalar meu sono, mas despertou Cronos e espantou Morpheus, logo, nicotina e outras drogas lícitas foram minhas parceiras.

Meu olhar pesado e minhas mãos tremulas denunciam o desespero por quatro noites não dormidas, poucas refeições saudáveis, muitas palavras acumuladas em minha garganta e nada de positivo para compartilhar.

Ouço um barulho, e quando acredito que sejam as crianças pulando mais uma vez do brinquedo em forma de crocodilo rosa – sim, rosa, uma vez que assim iludimos nosso sentido tornando um predador mortal em algo afável por ser rosa – sou ludibriado pelo cansaço, e esqueço que minha mochila esta desgastada e o fundo se rompe, deixando a garrafa do mais fino e puro vinho luxuoso de $5 cair, me levando ao desespero de ser descoberto.

“Hey, você…onde pensa que vai?! o que é isso?” – indaga a já carcomida e não muito ágil professora das crianças, que falha em pegar no meu braço e parece sofrer de algum mal na coluna.

“Vou embora, não era pra estar aqui, quero ir embora” – digo com a firmeza que me permite o pouco de força que ainda tenho para me manter em pé e apto a responder…

“Venha cá! Onde pensa que vai, quero ver o que mais carrega!” – a velhice parece dar mais moral e força as palavras, mas a falta de atividade física faz a velha ficar pra trás depois de um breve correr que me lanço.

As crianças começam a ficar em nossa volta, como num ritual tribalístico em que dois guerreiros são postos a prova e incentivados por gritos de guerra “pega ele! pega ele!”.

Estou sozinho em meio a uma multidão que parece me odiar apenas por estar carregando uma garrafa que fez o favor de quebrar por estar com uma mochila velha…

Em meio ao pandemônio, a velha parece mais cansada que deveria, mesmo pra sua idade, e lhe falta o ar, o que lhe leva a por as mãos no peito, como se tivesse um punhal enfiado em seu coração, e os gritos de guerra viram um coro de desespero e lamuria, pois mesmo as crianças sabem quando algo não vai nada bem.

“Ela vai morrer”, penso eu, mas devo ter pensado alto demais, quando uma bola de barro é jogada na minha cara por uma das crianças, em retaliação a minha incontestável afirmação.

Suada e em nítido desespero, a velha cai no chão, levemente umido devido a chuva que caiu durante a noite, e o barro serve de berço para o abraço da morte, que tem como coro de fundo o desespero e choro de mais ou menos vinte crianças…

Sem perceber estou lavado em lágrimas, soluçando, e por um breve momento lembro que ainda tinha uma tarefa para entregar…um desenho em que o parque estava vazio, apenas uma única pessoa apreciava sua quietude e verde, o cantar de seus pássaros e o rústico perfume de antiguidade devido as enormes árvores que ali habitam.

Fiz o desenho hoje pela manhã, quando sentei para descansar um pouco.

A velha se chama Allana Doptor, ela foi minha professora.

Me chamo Bruno, tenho oito anos, muito prazer.

 

 

The sweet smell of some childish nonsense is spread through the air, as well as the innocent joy of one who fears nothing beyond the hot sun burning your white and freckled skin. It’s Wednesday and I believe that children should be in school, but I am living proof that mistakes happen even when we plan and anticipate numerous possibilities.

I keep the bottle, after all, children are highly impressionable, and I use all the muscles in my face seeking a friendly smile and continued, but by the many nasty looks I get, I find that sympathy is something for the few, and if not sincere is best left aside.

In one of these colorful bins as a rainbow I leave the lighter and discover that the last cigarette was the same this morning, when the rain was responsible for the symphony should pack my sleep but awoke startled and Kronos Morpheus, soon, nicotine and other illicit drugs were my partners.

My heavy eyes and my hands trembling denounce despair not slept for four nights, a few healthy meals, accumulated many words in my throat and nothing positive to share.

I hear a noise, and when they believe that children are once again jumping toy crocodile-shaped pink – yes, pink, since so deceive our sense making a deadly predator on something affable to be pink – I am cheated by fatigue, my backpack and forget that this worn and the bottom is broken, leaving the bottle of the finest wine and pure luxury $ 5 drop, leading me to despair of being discovered.

“Hey, … where you think you’re going ?! What is it?” – Asks the already rotten and not very agile teacher of children, that fails to grab my arm and seems to suffer from some bad column.

“I’m leaving, it was not meant to be here, I want to go” – I say with firmness that allows me some strength that I still have to keep me on my feet and able to answer …

“Come here! Where do you think it will, I want to see what else carries!” – The oldness seems more moral strength and the words to, but the lack of physical activity is the old stand back after a brief run to haul me.

Children begin to hang around us, like a tribalístico ritual in which two warriors are put to the test and encouraged by war cries “catch him! Catch him!”.

I’m alone in a crowd that seems to hate me just to be carrying a bottle that did please break to be with an old bag …

Amid the pandemonium, the old looks more tired than it should, even for his age, and he lacks the air, which leads him to get his hands on his chest, as if he had a knife stuck in your heart, and the cries of war saw a chorus of wailing and despair, because even children know when something is not going well.

“She’s going to die”, I think, but I have thought too high, when a ball of clay is thrown in my face by one of the children, in retaliation for my undeniable statement.

Sweaty and in stark despair, the old falls to the ground, slightly damp due to rain that fell overnight, and the clay serves as a cradle for the embrace of death, whose background chorus of despair and cry about twenty children …

Without realizing I’m in tears, sobbing, and for a brief moment I remember I still had a job to deliver … a drawing in which the park was empty, only one person appreciated his quiet and green, the singing of birds and their the rustic scent of antiquity because the huge trees that live there.

I did the drawing this morning, when I sat down to rest a bit.

The old called Allana Doptor, she was my teacher.

My name is Bruno, I have eight years, very pleased.

Alone, Lone, One (new idea of lyric)

And everything looks so gray
without you here
without my hands in your hair
without your breath in my chest
outside have no lights
it’s dark and dead like my eyes
it’s heavy like my sins
cut me deep with your teeths
alone, lone, one
one, lone, alone
please give me a hug
don’t leave for no more than a second
my tears wash my face
why do you don’t listen
why all your answers
alone, lone, one
one, lone, alone
pain pain pain
why do you don’t listen
why all your answers
inside
(pain pain pain) — whispers
in my skin
(pain pain pain) — angry talk
broken heart
(pain pain pain) — screaming part

Chuva/Rain

E todas as lágrimas que não choro
Lavam a rua, trazem o caos
Posso ouvir as ruminancias como um coro
E tudo soa como um último suspiro
Mas é na realidade o último aperto do sufoco
Gostaria de dizer “eu te amo”, mas só consigo gritar por socorro
E as lágrimas lá fora não cessam, elas trazem para fora toda a agonia
Agonia, tristeza… Sou abraçado, envolto
Pelo desespero de não estar morto…

All these tears that I don’t cry
Wash the streets, bring the chaos
I can listen whispers like a chorus
And everything sounds like a last breath
But in reality it’s the last grab of suffocate
I wish to say “I love you”, but I only can scream for help
And the tears outside won’t stop, they bring out all the agony
Agony, sadness… I am embrace
By the despair of not be dead…